Flávio Assis
A tradição da filosofia africana, ubuntu, compreende o tempo como trânsito, cujo princípio é a ancestralidade, e, o futuro, seria apenas uma fábula que o Ocidente inventou para sabotar saberes, outros modos de ser e estar no mundo.
O álbum Luar-do-chão, do compositor e musicista baiano, Flávio Assis, apresenta ao público composições autorais, que nascem desta consciência diante do mundo à sua volta.O título é uma referência à obra, Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, do escritor moçambicano, Mia Couto, cuja trama se desenrola na ilha ficcional de Luar-do-Chão.
Nesta narrativa, a ancestralidade convoca o tempo presente para uma reconciliação, onde o real e a transcendência se confundem.É neste bojo que nasce a composição-título do álbum–um samba chula, filho pródigo do recôncavo baiano, das umbigadas que somente as sambadeiras sabem traduzir em fé e festa. E assim, também, surgem cidade e sertão, litoral e cerrado, ao longo da trilha musical do artista, que se faz um trovador do seu tempo, sensível ao mundo que te cerca, sem se permitir tirar os pés da ancestralidade.
E como no dizer do artista:“faço música como forma de anunciar o meu lugar, o meu chão, a minha gente, porque somente assim sei viver a partilha do mundo.” O Álbum traz participações de Tiganá Santana, Aiace, Danilo Brito, Pastoras do Rosário, entre outros diversos músicos que compõe um rico universo musical.
